Beijo Lisérgico

Ela terminou sua frase com um olhar profundo, irresistivelmente sensual. Tinha controle sobre mim, e com seus olhos me trouxe para perto e me beijou. O gosto lisérgico de nossas bocas era forte, mas não conseguia mascarar o seu sabor natural. Sua língua possuía uma certa aspereza macia e seus lábios massageavam os meus. Não tinha volta, eu sabia que não conseguiria dormir com apenas um desses beijos.

Sua pele era extremamente macia, mais do que o normal, e parecia acariciar também minhas mãos quando elas passaram suavemente por toda a extensão de seu corpo. Havia uma espécie  de alegria absoluta que emanava do encontro de nossos lábios, percorrendo completamente nossos seres, correndo por cada nervo, por cada veia, aquecendo nossa carne em pulsações cadenciadas de um prelúdio barroco. Suas mãos percorriam a nudez das minhas costas, me fazendo sentir uma série de cócegas sutis que penetravam minha pele, escalavam minha coluna e estimulavam a base do meu crânio com arrepios de puro prazer.

Quando, levemente, percorri a ponta de meus dedos dos seus ombros à sua nuca e senti a raiz de cada um dos fios do seu cabelo, pude sentí-la emanando ondas que acompanhavam a frequência das ondas que criam a essência do universo: caos e ordem, ordem e caos. Meus lábios se perderam no seu pescoço, nossas peles nuas se uniram e nos tornamos um. Nos dissolvemos no Universo, no ritmo ondulante do oceano, que nos fazia companhia junto com as estrelas pulsantes em sua morada celeste. Sua voz era minha voz, meu corpo era seu corpo, e nossas mentes se tornaram uma enquanto nossas almas se contorciam e gemiam em um gozo espiritual em que cada célula nervosa do nosso único ser desabrochava em uma flor com todas as cores do mundo, exalando um perfume que apenas a união profunda de dois seres consegue produzir.

Enquanto permanecíamos nus, deitados sobre a morna e macia areia daquela praia deserta, procurando por todas as cores do Universo com os curiosos olhos de uma criança que percebe o mundo ao seu redor pela primeira vez, hipnotizados pelas canções do oceano, que nos contava de mil e mais histórias de suas profundezas desconhecidas, eu vi em seu rosto o rosto de deus, me convidando para me tornar um com ela, para me tornar um com o Cosmos. Ela tomou minha mão e me guiou suavemente para cima, deslumbrado, para dentro de si.

E eu senti amor.

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