São Paulo registra manhã mais lenta do ano

O fato ocorreu na segunda-feira, afetando apenas a capital. Enquanto parte da população põe culpa na prefeitura, cientistas dizem que a culpa é do Cosmos.

A cidade de São Paulo amanheceu nesta segunda-feira (24) nublada e com chuva, registrando temperaturas abaixo dos 15 graus celsius. Afora isso, um outro fenômeno de características similares afetou a cidade: o tempo, cansado, adquiriu um ritmo muito mais lento e arrastado do que o esperado para o mês de agosto.

Nas principais avenidas foi registrada lentidão, bem como nos prédios, lojas e apartamentos de norte a sul da cidade, chegando a ser agoniante nas primeiras horas.

O fato não agradou muitos dos cidadãos, como relata Agustino Pereira, mecânico, preso no trânsito costumeiro das marginais: “Isso é um absurdo! Saí de casa às seis da manhã para chegar mais cedo e, olha aí, estou parado no trânsito faz sete horas e ainda não passa nem das nove!” Lupo Angostinni, empresário, preso no trânsito da Faria Lima, declarou: “Isso é culpa desse governo estapafúrdio, que mal consegue administrar a cidade, e agora perdeu controle até do tempo! Absurdo! Fora!” Luciana Braga, contadora, também relatou desgosto: “Assim não dá pra trabalhar no escritório! Já li tudo o que postaram no facebook, curti todas as fotos do instagram e respondi todas as mensagens de todos os grupos do whatsapp! Não tenho mais o que fazer, e nada do horário do almoço chegar.”

Nas escolas, a notícia foi recebida com entusiasmo pelos professores, mas não pelos alunos. Anderson Lima, professor de história  do ensino médio relatou: “Isso é uma maravilha! Já adiantei com a classe todo o conteúdo da semana, desse jeito não vai ter um que não vai passar no vestibular.” Já Lucas Martinez, estudante, comentou: “Podiam aproveitar pelo menos pra colocar uns recreios a mais, né?”

Em outros municípios da Grande São Paulo, o tempo pareceu correr normalmente, e os cidadãos evitaram entrar na capital, com medo do ocorrido. “Seria loucura querer estender ainda mais essa minha segunda-feira indo pra lá! Com esse frio ainda?”, questionou Olavo Santana, morador de Santo André que, hoje, decidiu ficar em casa.

Glécio Watachiro, professor do departamento de física da Universidade de São Paulo, procurado pela redação, explicou o evento: “Nunca antes observei algo do tipo. Parece que uma Supernova em uma galáxia próxima liberou quantidades imensas de energia que, ao entrar em contato com as nuvens de melancolia que pairam sobre a cidade, alterou a estrutura do espaço-tempo no local. Isso resultou num desaceleramento não necessariamente do tempo, mas da nossa percepção do tempo.” Watachiro comentou que ainda não é possível determinar o porquê de apenas a capital ter sido afetada, mas sua equipe já está trabalhando em busca de uma resposta. A NASA foi contactada pela redação, mas não houve resposta.

Ao meio dia, perto do horário de almoço, um grupo de oposição já havia se juntado em frente à prefeitura para protestar contra o desaceleramento imposto, exigindo estudos que comprovassem que ele realmente beneficiaria a população. Michel Alencar, aposentado e um dos organizadores da manifestação, ainda tentou puxar palavras de ordem contra as ciclovias, mas todos viram que ele não sabia do que estava falando e o ignoraram. O grupo se dispersou depois de mais de cinco horas de bate-panela na calçada, que já estava liberada às 13h30min. A prefeitura emitiu nota sobre os benefícios das ciclovias, mas nada comentou sobre a passagem do tempo.

Vista aérea da cidade durante o fenômeno.
Vista aérea da cidade durante o fenômeno.

Por volta das 18h, após uma exaustiva jornada de trabalho de quarenta e duas horas, os paulistanos, ao saírem do expediente, foram pegos de surpresa em mais uma reviravolta. O tempo, ao contrário de como vinha se portando, passou a correr em um ritmo frenético e acelerado, recobrando a normalidade apenas na terça-feira de madrugada. “Foi uma coisa de dar nó na cabeça. Quando cheguei em casa, já tudo começou a correr, os ponteiros do relógio ficaram doidos, e quando eu vi, já tinha que me aprontar pro trabalho de novo”, comentou Lúcia Braga, lojista. Pérfiro Pereira, porteiro, relatou: “Mal consegui sair da guarita, já tive que sentar nela de novo. Não descansei, mas pelo menos economizei na passagem do ônibus.”

Procurado novamente pela redação, Watachiro comentou que o tempo, entrando novamente nos eixos, padeceu de uma rápida aceleração para compensar o descompasso previamente sofrido. Concluiu que faz-se necessário refletir sobre o acontecido em outros campos além do seu. Declarou: “Se não mudarmos nossa rotina de vida, que dá mais e mais importância a coisas que não nos definem, como um trabalho ou uma carreira, vamos continuar experienciando esse fenômeno mais e mais vezes até, pelo menos, a chegada do fim de semana.” A redação não recebeu relatos de novos fenômenos temporais antes da conclusão desta edição.

Apesar da aparente normalidade que agora paira no ar, os paulistanos vão esta noite dormir incertos. Veremos como será a quarta-feira.

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