Uma mala de 23kg

Sonho em viajar todo o litoral do Brasil numa kombi surrada com mais dois ou três amigos durante uns três meses. Começar lá de baixo, lá do sul e ir subindo, ir subindo, fazer uma pausinha mais do que merecida em Florianópolis e ficar lá um pouquinho mais do que planejado. Depois disso, subir pro sudeste, ver o litoral de São Paulo que eu conheço bem de outros carnavais. Outros carnavais, páscoas, réveillons, dias da pátria e por aí vai. Passar por Paraty, fazer umas trilhas e passar pela cidade maravilhosa, onde vamos ficar um tempinho gostoso. Depois disso, Espírito Santo e aí começa o nordeste, onde ficam as praias mais bonitas. Passar na Bahia e se remoer por não dar pra dar uma esticadinha na Chapada Diamantina e depois subir com a maior calma do mundo, porque, afinal, o litoral do Brasil é muito bonito pra não ser apreciado como se deve, com tempo.

Ou quem sabe, uma viagem de moto pelo Interior do Brasil. Sozinho. Imagina só, ir conhecendo cada estado, experimentar cada beleza das cidades pequenas, conhecer outras capitais, passar por estradas boas e ruins, graciosas e horrendas, sofrendo a cada vez que a chuva apertar demais. Conhecer o Pantanal. Andar a cavalo e ver um jacaré. Sofrer com o frio no sul e reclamar do calor do norte. Partir para um novo destino sem ter um roteiro definido, conhecer pessoas únicas que vivem em realidades diferentes da sua, e conversar com elas e conhecer suas histórias. Comer queijo em Minas. Sem esquecer de provar o doce de leite e tomar uma boa cachaça (cuidado com a direção!). Passar um bom tempo na Chapada Diamantina, acampar na natureza, se apaixonar por ela, e depois de quase um ano viajando, além de não sentir falta do emprego que ficou pra trás, perceber que esse país é grande pra caralho!, e que existe muito mais do que o que a gente se acostumou. E depois disso tudo, se mudar.

Uma outra ideia é conhecer a América do Sul inteira, mas não precisa ser de moto, não. Pode ser de avião, ônibus, trem, carona, o que der pra ser e que caiba a mochila que trazemos nas costas. Só eu e você, durante as férias prolongadas e um pouco mais, com o dinheiro que conseguimos guardar. O apartamento espera mais um pouquinho. Vamos beber um vinho e assistir a um tango na Argentina (e depois tentar copiar, sozinhos, no quarto), cruzar os Andes, dar um mergulho nas praias do Pacífico e ver o céu descer pra terra na Bolívia. Aos pés do Machu Picchu eu vou te dizer o quanto te amo, e quando tivermos que deixar o Ecuador, eu talvez perceba que casamento pode não ser tanta bobagem assim, desde que seja com você. Infelizmente, vamos brigar na Venezuela quando tivermos nossos passaportes roubados e passarmos por uma infinita burocracia e no final da noite você querer beber suco e eu, água. Eu sei, bobagem. E, no final, o beijo mais gostoso que já tivemos, quando eu te pedir em casamento na Amazônia, com um anel que eu trouxe escondido lá do Brasil. Pois é, essas memórias vão doer ainda mais quando tivermos que decidir quem fica com o apartamento.

índia, tá aí um lugar que eu queria conhecer. Pegar um trem pelo interior do país, com medo de que poderia ser um daqueles cheios de gente, que nem a gente vê nas fotos na internet, sabe? Ver o Taj Mahal e tantos outras construções magnificamente extraordinárias, que o olho nu pode interpretar como um sonho. Mas sempre temendo a primeira dorzinha de barriga que possa aparecer. Mas essa tem que ser feita a tempo de pegar o festival das cores, pra poder se perder em transe pela cidade, que fica colorida até sua mais profunda artéria. Seria legal ver tigres, de preferência não enlatados em um zoológico, mas na natureza. Quando menos se espera, olha lá!, um tigre, e ele passa impondo seu corpo com passadas pesadas e silenciosas, mas nem nos vê, e você pode sentir medo. Medo da natureza, por que, no final, você não pode contra ela. A índia deve ser linda.

De vez em quando penso em passar um mês acampando sozinho no meio da natureza, longe da civilização. Ou em fazer um mochilão na Europa. Ou em conhecer a África. O Egito deve ser legal, mas vamos ver como fica a política de lá. Talvez passar um tempo numa cabana nas montanhas antigas do continente europeu, se aquecendo numa lareira e lendo histórias de terror. Conhecer a Nova Zelândia e todo o sudeste da Ásia. Ver as plantações de arroz da China. Caminhar pelas ruas congeladas no tempo de Cuba, escutando a música que se confunde com o oxigênio do ar. Se perder em Veneza, com pouco dinheiro. Dirigir de Nova Jersey até a costa oeste dos Estados Unidos num carro velho e surrado. Eu quero um dia ver a aurora boreal, depois conhecer os pólos. Existem muitas coisas para serem vistas do lado de lá da nossa porta, e os que saem uma vez, não voltam mais. Sabe aquela vontade de fechar a mala mais uma vez e ir pra outro lugar, qualquer que seja? Eu acho ela muito gostosa. O mundo é grande pra cacete, mas acho que se der uma apertada, cabe numa mala de 23kg.

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